Em Angola, o jornal angolano Jornal de Angola, que ainda não ratificou o Acordo Ortográfico, criticou o uso das novas regras em seu editorial, após reunião em Lisboa com os ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
"O nosso (jornalistas) trabalho ficava
muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com
base no português falado ou pronunciado, mas, se alguma vez isso
acontecer, estamos a destruir essa preciosidade (língua portuguesa) que
herdamos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e
muito menos negócios", disse o editorial, fazendo um apelo ao respeito
das diferenças entre os países.
O jornal acrescenta que: "há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam.”
O jornal acrescenta que: "há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam.”
Na FLIP
Quando o autor Ondjaki participou da última edição da Festa Literária Internacional de Paraty
(Flip), ele foi convidado para participar de um
debate precisamente sobre o acordo ortográfico da língua portuguesa:
"Não me venham com o acordo ortográfico em cima da minha palavra", ressaltou Ondjaki, mostrando-se contra a unificação da grafia, pois não entendeu "bem os meandros do acordo".
O jovem escritor angolano, representante de uma geração contemporânea de autores africanos de expressão portuguesa, disse à Agência Lusa que a reforma ortográfica "não faz sentido a título pessoal". "É um desabafo de escritor", acrescentou.
"Em quase todos os escritores, principalmente quando se trata do conto e da poesia, há uma relação muito umbilical com a palavra. O acordo, para um escritor, fica mais duro, mais difícil de aceitar porque mexe com uma componente que é o corpo da palavra e nós temos uma relação visceral com a palavra, de ciúme, de posse", ressaltou.
Em Portugal
O escritor português Vasco Graça Moura classificou, em 2009, como negativa a possibilidade de todos os documentos oficiais de
Portugal e do Brasil serem elaborados segundo o acordo ortográfico,
afirmando esperar que os países africanos de língua portuguesa se
oponham.
Uma fonte do governo português adiantou à Agência Lusa que o Diário da República de Portugal deverá ser escrito segundo o acordo ortográfico já a partir de janeiro de 2009.
"É completamente negativo. Espero que os países africanos de língua portuguesa se oponham a uma situação destas. Pelos vistos restam só eles como defensores da língua portuguesa tal como ela é falada em Portugal", disse Graça Moura, que tem sido uma das vozes contrárias ao acordo.
Uma fonte do governo português adiantou à Agência Lusa que o Diário da República de Portugal deverá ser escrito segundo o acordo ortográfico já a partir de janeiro de 2009.
"É completamente negativo. Espero que os países africanos de língua portuguesa se oponham a uma situação destas. Pelos vistos restam só eles como defensores da língua portuguesa tal como ela é falada em Portugal", disse Graça Moura, que tem sido uma das vozes contrárias ao acordo.
Em Moçambique
Questionado sobre como encara o novo Acordo Ortográfico, o autor moçambiquenho, Mia Couto,
assegurou que irá ajustar-se à convenção, até porque não é “um militante
contra o acordo”, embora se distancie da “falsificação das razões”
apresentadas para introdução do pacto.
“Do ponto de vista literário, não acho necessário, acho dispensável, terei dificuldades em escrever da maneira nova e acho que grande parte dos argumentos que foram feitos a favor do acordo são argumentos falsos”, disse o escritor moçambicano.
“Muitas vezes argumenta-se que este acordo é necessário porque os nossos países (CPLP) viviam distantes e agora a nova ortografia comum vai aproximar-nos. Acho que isto é uma mentira”, afirmou Mia Couto, que é igualmente biólogo.
Para o escritor, a distância entre os países deve-se ao facto de existirem “razões de diferentes políticas, da falta de vontade de criar uma proximidade e apostas geoestratégicas diferentes”.
“O Brasil tem aquele universo da América Latina, tem a sua posição no mundo, Portugal tem outra, os africanos têm outra, estas são as grandes razões (..), mas vou ter que me ajustar” às novas regras da língua portuguesa, disse.
“Do ponto de vista literário, não acho necessário, acho dispensável, terei dificuldades em escrever da maneira nova e acho que grande parte dos argumentos que foram feitos a favor do acordo são argumentos falsos”, disse o escritor moçambicano.
“Muitas vezes argumenta-se que este acordo é necessário porque os nossos países (CPLP) viviam distantes e agora a nova ortografia comum vai aproximar-nos. Acho que isto é uma mentira”, afirmou Mia Couto, que é igualmente biólogo.
Para o escritor, a distância entre os países deve-se ao facto de existirem “razões de diferentes políticas, da falta de vontade de criar uma proximidade e apostas geoestratégicas diferentes”.
“O Brasil tem aquele universo da América Latina, tem a sua posição no mundo, Portugal tem outra, os africanos têm outra, estas são as grandes razões (..), mas vou ter que me ajustar” às novas regras da língua portuguesa, disse.
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